Olho com uma lágrima, destacando a importância da lubrificação e proteção ocular

Lágrima e filme lacrimal: porque são importantes para a visão?

Quando pensamos em lágrimas, é natural associá-las ao choro. No entanto, os nossos olhos dependem de uma fina camada de lágrima durante todo o dia, mesmo quando não estamos a chorar.

A esta camada damos o nome de filme lacrimal.

A cada pestanejo, o filme lacrimal é distribuído pela superfície do olho, ajudando a mantê-la húmida, lisa e protegida. Além do conforto ocular, tem também um papel importante na qualidade da visão.

Quando a quantidade ou a qualidade da lágrima não é adequada, podem surgir sintomas como secura, ardor, sensação de areia, lacrimejo ou visão temporariamente desfocada. A lágrima contribui para a lubrificação, proteção e qualidade ótica da superfície ocular.

Para que serve a lágrima?

A lágrima desempenha várias funções ao mesmo tempo.

Ajuda a:

  • manter a superfície do olho húmida;
  • reduzir o atrito provocado pelo pestanejo;
  • criar uma superfície lisa importante para uma visão nítida;
  • remover pequenas partículas e resíduos;
  • proteger a superfície ocular através de diferentes componentes com função de defesa;
  • contribuir para o funcionamento adequado da córnea.

Por isso, a lágrima não é simplesmente “água no olho”.

É uma estrutura complexa e essencial para o conforto e para a qualidade visual.

O que é o filme lacrimal?

O filme lacrimal é a fina camada de lágrima que cobre a superfície exposta do olho.

Quando pestanejamos, as pálpebras ajudam a espalhar e reorganizar esta camada sobre a córnea e a conjuntiva.

Um filme lacrimal estável ajuda a manter uma superfície ótica regular. Quando se torna instável ou se rompe demasiado rapidamente entre pestanejos, a visão pode oscilar e surgir desconforto.

É por isso que algumas pessoas com alterações do filme lacrimal referem que a visão fica ligeiramente desfocada e melhora temporariamente depois de pestanejar.

De que é composta a lágrima?

Para explicar de forma simples o funcionamento do filme lacrimal, é habitual distinguir três componentes principais:

 

Componente lipídica

É a componente mais superficial e contém lípidos produzidos sobretudo pelas glândulas de Meibómio, localizadas nas pálpebras.

Ajuda a estabilizar o filme lacrimal e a reduzir a sua evaporação excessiva.

Quando esta componente não funciona adequadamente, a lágrima pode tornar-se menos estável e evaporar mais rapidamente.

 

Componente aquosa

É a parte que mais facilmente associamos àquilo a que chamamos lágrima.

É produzida principalmente pelas glândulas lacrimais e ajuda a:

  • manter a superfície ocular húmida;
  • transportar diferentes substâncias importantes para a superfície do olho;
  • remover pequenas partículas;
  • contribuir para os mecanismos de proteção ocular.

 

Componente mucosa

As mucinas ajudam a lágrima a distribuir-se e a permanecer adequadamente sobre a superfície ocular.

São produzidas por diferentes células da superfície ocular, incluindo células da conjuntiva.

Em vez de imaginarmos estas três componentes como camadas rígidas e completamente separadas, é mais correto pensar no filme lacrimal como um sistema dinâmico em que todas trabalham em conjunto.

De onde vêm as lágrimas?

A produção do filme lacrimal envolve diferentes estruturas.

A componente aquosa é produzida sobretudo pelas glândulas lacrimais, enquanto as glândulas de Meibómio das pálpebras contribuem com a componente lipídica.

Outras células e glândulas da superfície ocular participam também na composição da lágrima.

Depois de serem distribuídas pelo pestanejo, as lágrimas em excesso são drenadas através de pequenas aberturas localizadas junto ao canto interno das pálpebras e seguem através do sistema lacrimal em direção ao nariz.

É precisamente por isso que, quando choramos bastante, também podemos ficar com o nariz a pingar.

Existem diferentes tipos de lágrimas?

Podemos falar, de forma simplificada, em diferentes tipos de produção lacrimal consoante a situação.

 

Lágrima basal

É a lágrima produzida continuamente para manter a superfície ocular lubrificada e protegida.

Na maior parte do tempo nem damos conta da sua presença.

 

Lágrima reflexa

Surge como resposta a determinados estímulos ou irritações.

Pode acontecer, por exemplo, perante:

  • fumo;
  • vento;
  • poeiras;
  • substâncias irritantes;
  • presença de um corpo estranho;
  • vapores libertados ao cortar cebola.

A produção aumenta como mecanismo de proteção e ajuda a remover ou diluir aquilo que está a irritar a superfície ocular.

 

Lágrima emocional

É a produção lacrimal associada a emoções intensas, como tristeza, alegria ou dor.

Do ponto de vista do conforto ocular, contudo, é sobretudo a produção basal e a estabilidade do filme lacrimal que nos interessam no dia a dia.

Pestanejar é importante para a lágrima?

Muito.

O pestanejo não serve apenas para fechar os olhos.

Cada vez que pestanejamos, ajudamos a:

  • redistribuir a lágrima;
  • manter a superfície ocular húmida;
  • espalhar a componente lipídica;
  • favorecer a drenagem do excesso de lágrima.

Quando passamos muito tempo concentrados num computador ou telemóvel, podemos pestanejar menos frequentemente ou de forma incompleta.

Isso pode favorecer uma maior instabilidade do filme lacrimal e contribuir para sintomas de secura ou desconforto.

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Porque posso ter olhos secos e, ao mesmo tempo, lacrimejar?

Parece contraditório, mas pode acontecer.

Quando a superfície ocular está irritada ou a lágrima habitual não está a cumprir adequadamente a sua função, pode ser desencadeada uma produção reflexa de lágrima.

Por isso, uma pessoa com olho seco pode apresentar períodos de lacrimejo intenso.

Ter “muita lágrima” a escorrer pelo rosto não significa necessariamente que o filme lacrimal esteja estável ou com a composição adequada para manter a superfície ocular confortável. O lacrimejo também pode ter outras causas, como alergias, irritação, alterações das pálpebras ou da drenagem lacrimal.

Saiba mais sobre olho seco.

O que acontece quando o filme lacrimal não funciona adequadamente?

O problema pode estar relacionado com:

  • produção insuficiente de lágrima;
  • evaporação excessiva;
  • alterações da componente lipídica;
  • distribuição inadequada da lágrima;
  • alterações das pálpebras ou do pestanejo;
  • combinação de vários fatores.

Podem surgir sintomas como:

  • ardor;
  • picadas;
  • sensação de areia;
  • secura;
  • olhos vermelhos;
  • lacrimejo;
  • visão temporariamente desfocada;
  • desconforto com lentes de contacto.

Estes sintomas podem ter diferentes causas e não permitem, por si só, concluir que existe olho seco ou identificar qual a origem do problema.

Qual é a relação entre as pálpebras e a qualidade da lágrima?

As pálpebras têm um papel muito importante na estabilidade do filme lacrimal.

Além de distribuírem a lágrima através do pestanejo, contêm as glândulas de Meibómio, responsáveis por produzir a componente lipídica.

Quando estas glândulas não libertam adequadamente a sua secreção, a qualidade do filme lacrimal pode ficar comprometida e existir maior evaporação.

Alterações das pálpebras, como blefarite ou disfunção das glândulas de Meibómio, podem estar associadas a sintomas de olho seco.

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E quem utiliza lentes de contacto?

As lentes de contacto interagem diretamente com o filme lacrimal.

Por isso, a qualidade e estabilidade da lágrima têm influência no conforto, qualidade visual e tempo de utilização das lentes.

Uma pessoa que começa a sentir secura, ardor, visão instável ou desconforto ao longo do dia pode beneficiar de uma avaliação da adaptação das lentes e da superfície ocular.

Isto não significa que uma pessoa com tendência para olho seco não possa utilizar lentes de contacto. A escolha da lente, frequência de substituição, tempo de utilização e estado da superfície ocular devem ser avaliados individualmente.

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Como pode ser avaliada a lágrima?

Quando existem sintomas persistentes, a avaliação pode incluir diferentes aspetos da superfície ocular e do filme lacrimal.

Podem ser analisados, por exemplo:

  • quantidade de lágrima;
  • estabilidade do filme lacrimal;
  • qualidade do pestanejo;
  • estado das pálpebras;
  • funcionamento das glândulas de Meibómio;
  • integridade da superfície ocular;
  • sintomas e fatores ambientais;
  • utilização de lentes de contacto.

Não existe um único teste que explique todas as situações.

A interpretação resulta do conjunto das queixas, observações e medições realizadas. Entre os testes utilizados na avaliação do olho seco encontram-se a observação em lâmpada de fenda, testes de produção lacrimal e a medição do tempo de rutura do filme lacrimal.

Quando faz sentido avaliar o filme lacrimal?

Pode ser útil procurar avaliação quando existem queixas frequentes como:

  • sensação persistente de secura ou areia;
  • ardor;
  • lacrimejo recorrente;
  • visão que oscila ao longo do dia;
  • desconforto frequente com lentes de contacto;
  • olhos vermelhos;
  • sintomas que pioram ao computador, com ar condicionado ou em ambientes secos.

Na Central Ópticas, a avaliação pode ajudar a perceber que fatores estão a contribuir para os sintomas da superfície ocular e orientar os cuidados mais adequados à situação.

Sempre que as características dos sintomas justifiquem investigação médica adicional, é recomendada avaliação especializada.

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Perguntas frequentes sobre a lágrima

A lágrima é apenas água?

Não. O filme lacrimal contém uma mistura complexa de água, lípidos, mucinas, proteínas, eletrólitos e outras substâncias importantes para a superfície ocular.

Os compostos irritantes libertados pela cebola estimulam terminações nervosas da superfície ocular e desencadeiam produção reflexa de lágrima.
É um mecanismo destinado a diluir e remover o irritante.

Não necessariamente.
O lacrimejo pode acontecer devido a irritação, olho seco, alergias, vento, alterações das pálpebras ou problemas na drenagem da lágrima, entre outras situações.

Sim. O pestanejo ajuda a distribuir e estabilizar o filme lacrimal sobre a superfície ocular.

Durante tarefas de concentração tendemos a pestanejar menos frequentemente e, por vezes, de forma incompleta. Isso pode favorecer maior evaporação e instabilidade da lágrima.

Não. São produtos destinados a complementar a lubrificação da superfície ocular e existem diferentes formulações.
A escolha deve ter em conta os sintomas, frequência de utilização, presença de lentes de contacto e características da superfície ocular.

Sim. O filme lacrimal ajuda a criar uma superfície ótica regular. Quando se torna instável, a visão pode oscilar ou ficar temporariamente desfocada, melhorando por vezes após o pestanejo.

Conteúdo revisto pela equipa de Optometria da Central Ópticas
Última revisão: outubro de 2026

Este artigo tem carácter informativo e não substitui uma avaliação individual. Sintomas como secura, ardor, lacrimejo ou visão desfocada podem ter diferentes causas e devem ser interpretados de acordo com as características de cada pessoa.

A Central Ópticas encontra-se registada na Entidade Reguladora da Saúde (ERS).

Fontes de referência

  • National Eye Institute — How Tears Work
  • National Eye Institute — Dry Eye
  • National Eye Institute — Testing for Dry Eye
  • Tear Film & Ocular Surface Society — TFOS DEWS II Tear Film Report
  • Tear Film & Ocular Surface Society — TFOS DEWS II Definition and Classification Report
  • American Academy of Ophthalmology — Dry Eye
  • Moorfields Eye Hospital — Dry Eye