Visão infantil: Como gerir o tempo em frente aos ecrãs?

Visão infantil: Como gerir o tempo em frente aos ecrãs?

Atualmente, existem muitas opções a nível de ocupação das crianças e, com a vida preenchida que os pais geralmente têm, há uma opção que é muito atrativa e que muitas das vezes é simplesmente deixar que as crianças se distraiam com os estímulos visuais disponíveis, durante o tempo necessário a terminarem os seus afazeres.

Contudo, principalmente no que diz respeito à visão infantil, muito tempo passado em frente a ecrãs pode ser prejudicial, não só relativamente à saúde visual, como a outros aspetos da saúde. Neste artigo, damos algumas sugestões de como gerir o tempo que as suas crianças passam fixadas em ecrãs.

Ecrãs e visão infantil

A infância é uma altura de rápido desenvolvimento, em que se começam a definir certos padrões familiares e rotinas que podem ser adaptados e aproveitados da melhor forma para incutir hábitos saudáveis desde o início.

Quando aqui falamos de visão infantil, falamos essencialmente da visão em crianças até por volta dos 5 anos e, quando falamos de ecrãs, referimo-nos a todo o tipo de ecrãs que impliquem sedentarismo e fixação, incluindo televisão, videojogos, computadores, tablets, telemóveis e outros análogos.

 

Efeitos de passar muito tempo ao ecrã na visão infantil

Passar muito tempo em frente a ecrãs tem efeitos sobretudo negativos tanto na visão das crianças como na dos adultos, mesmo sabendo que existem diversas aplicações e programas educacionais, que funcionam como instrumento de aprendizagem. É, aconselhável incutir hábitos mais saudáveis nas crianças sempre que possível.

 

Fadiga e esforço ocular

Quando as crianças passam muito tempo fixadas em ecrãs, podem acusar sintomas de fadiga ocular. Mais do que isso, quando se trata de dispositivos colocados muito próximo dos olhos, como smartphones e tablets, é natural que haja um esforço acrescido exercido pelos músculos dos olhos, que pode levar a diversas consequências, como dores de cabeça, olhos secos, olhos vermelhos, comichão e lacrimejo. O mesmo pode acontecer quando a luminosidade dos dispositivos não está no ponto ideal.

 

Visão desfocada

Os olhos têm músculos responsáveis pela acomodação da visão que nos ajuda a focar as imagens. O facto de as crianças estarem bastante tempo fixas num ecrã pode levar a que, quando desviam o olhar para outro ponto, a visão apareça desfocada, devido ao que se chama de espasmo de acomodação.

 

Pestanejo reduzido

A concentração num ecrã, reduz a frequência de pestanejo, quer nos adultos ou nas crianças, o que leva a que os olhos fiquem secos e irritados e, por vezes, vermelhos. Quanto mais alto estiver o ponto de foco, como, por exemplo, um ecrã de computador em comparação a um livro, piores as consequências, uma vez que a tendência é olhar para cima e, logo, abrir mais as pálpebras, o que seca ainda mais os olhos.

 

Dificuldades de concentração

O excesso de tempo em frente a ecrãs leva à intensificação dos efeitos acima referidos, podendo levar a faltas de concentração e foco e, consequentemente, a dificuldades de aprendizagem.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) aconselha, sempre que possível, a atividade física e evitar o sedentarismo, apontando que a falta de uma atividade física dentro do recomendado é responsável por mais de 5 milhões de mortes anuais, globalmente, em todos os grupos etários. Além de aconselhar tempos mínimos de atividade física e de horas de sono de qualidade para “melhorar a sua saúde física e mental e o seu bem-estar”, a OMS dá indicações específicas relativamente aos tempos de sedentarismo em frente a ecrãs:

  • para crianças até 1 ano de idade, é desaconselhada a exposição a qualquer tipo de ecrãs;
  • para crianças entre os 2 e os 4 anos, é aconselhado um máximo de 1 hora de tempo em frente a ecrãs;

Por sua vez, a American Academy of Pediatrics (AAP, em português Academia Americana de Pediatria), alarga aquele limite para até aos 5 anos de idade.

 

Dicas para gerir o tempo das crianças em frente aos ecrãs

Existem algumas formas de gerir o tempo que os seus filhos passam em frente da televisão, tablet ou do telemóvel:

  • Desligue a televisão quando pretende apenas barulho de fundo, pois irá, certamente, atrair a atenção da criança;
  • Desligue a televisão e retire os dispositivos aquando das refeições, optando pela conversa em família;
  • Mantenha os dispositivos numa divisão comum da casa, de modo a poder controlar ativamente o tempo; além disso, evite colocá-los no quarto, promovendo tempos de descanso;
  • Defina horários concretos para a utilização dos dispositivos;
  • Faça uso dos controlos parentais quando disponibilizados pelos dispositivos e aplicações;
  • Dê o exemplo e não passe, também, tempos excessivos em frente da televisão ou a navegar nas redes sociais em frente aos mais novos;
  • Incentive tempos de ar livre e atividades movimentadas e, sempre que puder, participe

– assim, distrai os mais novos das tecnologias e cimenta laços familiares e memórias;

  • À medida que vão crescendo, vá atribuindo responsabilidades e tarefas da casa, que ocuparão algum do tempo que seria dedicado a ecrãs.

Com a visão das crianças, todo o cuidado é pouco

Quanto mais tempo passam em frente a ecrãs, menos tempo têm para dialogar, dormir, passear ou brincar. 

Assim, cabe-lhe como pai ou mãe gerir as melhores práticas para uma boa saúde ocular e atentar em qualquer alteração que possa existir. Caso note ou, porventura, a criança se queixe, consulte de imediato um especialista da visão para detetar.

Mesmo que não note, se tem dúvidas, a prevenção é essencial e pode consultar gratuitamente um dos especialistas da Central Ópticas, marcando um exame de visão.